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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Congadas de Itamogi, Paraíso e região têm raízes negras e europeias

 
Congadas em Itamogi, Minas Gerais: hierarquias se desfazem como pó


Tchi, tchi, tchi, tchi, bum, tchi, tchi, tchi, tchi, bum. O som da caixa é inconfundível e serve de senha. O terno de congo está chegando com sua miscelânea de cores, sons e ritmos, mesclando os valores culturais e religiosos vindos da mãe África, a bordo dos tristes navios negreiros, com os valores católicos trazidos pelos portugueses.  Uma das mais importantes manifestações que contribuíram para firmar a mestiça identidade nacional, embora não tão valorizada e lembrada como o samba ou a capoeira, as congadas estão esparramadas por todo o Brasil,  acontecendo, aqui e ali, em determinada  época do ano e celebrada com características próprias, dependendo das peculairidades regionais que adquiriram.
As origens das congadas são matéria de controvérsia entre pesquisadores. Uma corrente identifica sua fonte em uma tradição africana, em torno da coroação dos reis do Congo, embora outroas vertentes acreditem que a matriz esteja em Angola. De qualquer modo, a tradição, de tão forte, atravessou o Atlântico e se instalou no coração das senzalas, dos quilombos e de outras comunidades negras no período colonial. Em terras brasileiras, seria uma forma de os escravos reafirmaram suas origens, sua identidade, sua fidelidade aos antepassados.
Como ocorreu com outras expressões culturais e religiosas, as Congadas evoluíram em função do sincretismo que proliferou no período colonial e monárquico. Às raízes africanas foram somadas  as influências católicas europeias e as congadas passaram a se tornar momentos de homenagem a santos de grande simpatia e empatia populares, como Nossa Senhora do Rosário e São Benedito.
Depois vieram os cultos, durante as congadas, a outros santos queridos, como Santa Ifigênia, Santa Catarina, São Jerônimo e São Domingos. Ecos de tradições europeias também são ouvidos em algumas sonoridades e no enredo das Congadas, que teriam incorporado situações ligadas aos reis Fernando e Isabel, da Espanha,  e/ou de Carlos Magno e os 12 pares da França, ou mesmo as cruzadas contra os mouros na Península Ibérica. De fato, existem traços de combates simulados em algumas modalidades de Congadas, em referência às fontes africanas ou europeias.
Sons fortes, batidas pesadas, marcam o compasso dos ternos, os grupos que se reúnem para desenvolver as Congadas. São os sons vindos dos pandeiros, cuícas, reco-recos e, sobretudo, das caixas de congo, espécie de tambores que geralmente vão à frente dos ternos. Impossível não se contagiar com os batuques que evocam o imaginário mestiço, plurirracial, que moldou a alma brasileira. Mas instrumentos de corda também estão presentes, compondo uma sinfonia de sons e ritmos que convida para a dança, inclusive em algumas festas do Divino, nas quais estão presentes modalidades de Congadas.
Em todos os pontos do Brasil, onde as Congadas continuam firmes, resistindo à massificação cultural,  as festividades cumprem papel semelhante ao do Carrnaval. São momentos de celebração da liberdade e da vida, como ocorria nos eventos originais - os senhores de engenho davam "permissão" para os escravos celebrarem o cortejo dos reis congos durante um dia específico. Era, óbvio, uma data muito esperada e comemorada. As celebrações também dependiam, no caso de ocorrerem  em espaços urbanos, da autorização das autoridades policiais.
As Congadas contemporâneas mantêm, em linhas gerais, o enredo das fontes. Os "congadeiros" cantam as músicas em louvor aos santos, dançam passos com nítida inspiração africana e, em determinadas ocasiões, fazem o transporte dos reis congos, um casal que é escolhido como "majestades" para liderar as festividades. Os reis congos são então acompanhados pelas ruas até sua entrada nas igrejas. Geralmente os reis congos, devidamente vestidos com indumentárias brilhantes, são abrigados sob guarda-chuvas ou outros aparatos protetores. Tudo para salientar a sua realeza. A coroação dos reis congos é momento forte.
Outro momento forte dos cortejos é o das chamadas "embaixadas", que seria uma referência às embaixadas enviadas entre as cortes africanas - embaixadas de paz ou de guerra. Não por acaso, os ternos são geralmente conduzidos sob a batuta de "generais" e "capitães", além, é claro, dos próprios reis congos. Em algumas localidades também acontece o levantamento das bandeiras em homenagem a determinados santos, que se constitui na solenidade que abre oficialmente as congadas daquele ano. Com efeito, as festas das Congadas apenas são encerradas, nesses locais, quando acontece a descida das bandeiras, que ficam instaladas no centro nervoso onde ocorrem as festividades.
Existem Congadas espalhadas por todo o território brasileiro, mas em algumas comunidades elas adquiriram força especial, atraindo a cada ano os moradores locais e também turistas. São os casos de Pirenópolis e Catalão, em Goiás, de Cametá, no Paraná, e de várias cidades mineiras, como Uberlândia, São João del-Rei, Machado, São Sebastião do Paraíso e Itamogi. Desses locais, em especial do sul de Minas, as Congadas foram levadas pelos migrantes mineiros que se estabeleceram nas periferias de grandes cidades, como São Paulo e Campinas. O tradicional Festival do Folclore de Olímpia, no interior paulista, é um momento especial de apresentação de congadas de todo país.
As Congadas incluem, de acordo com a tradição, a apresentação de grupos com funções específicas, como os vilões, os marujos, os catupés, os próprios congos e os moçambiques. Os moçambiques, em particular, seriam os "anjos" que abriam caminho para os acompanhantes dos reis congos. Em algumas regiões, os moçambiques passaram a constituir "ternos", ou grupos próprios, como em São Sebastião do Paraíso e Itamogi, no Sul de Minas. Nesses casos, a indumentária dos "moçambiqueiros" difere dos "congadeiros". Os "moçambiqueiros" são trajados de saias e portam espécies de guizo nos pés, acentuando sua sonoridade própria durante as danças e cantos.
Como em toda grande festa de caráter popular, cultural e religioso, as congadas também são sinônimo de culinária pesada. Em algumas localidades permanece a tradição de oferecimento de farta comida e generosa bebida por parte dos "festeiros", pessoas das comunidades que assumem esse encargo. Em outros locais essa tarefa passou à esfera do poder público, com muita, mas muita comida servida, e de graça, para quem quiser. Em Itamogi, a macarronada com batata é servida com muita generosidade para os "congadeiros", os "moçambiqueiros" e o povo em geral, nos quatro dias da tão esperada festa, que é o emblema da identidade local.
A exemplo de outras legítimas manifestações culturais e religiosas, as Congadas também sofreram mutações inevitáveis em função das mudanças profundas na sociedade brasileira,  como no caso da transição de um mundo essencialmente rural para um universo urbano. Para muitos as raízes estão perdidas no passado, ameaçadas por interesses políticos e econômicos que passaram a envolver muitas das festas da alma brasileira. Mas os sinais originais, os ecos da Mãe África e igualmente das influências europeias, continuam presentes, sempre a encantarem e a seduzirem pelo mosaico de sons, ritmos, cores e sabores que ainda vestem, com realeza e fidalguia, as Congadas, momento mágico em que as hierarquias se desfazem como pó.  (Texto do livro "Imagens do Brasil - A alma plural e única do Brasil", Volume 1, de José Pedro Soares Martins, Editora Komedi, Campinas, 2010)

domingo, 29 de maio de 2011

Padre Nelson volta a Itamogi, cidade que ajudou a transformar





Ele caminha calmo, tranquilo, pelas ruas de Itamogi, sudoeste de Minas Gerais, onde voltou a morar, quatro décadas depois. Mora em Itamogi, mas é titular da paróquia de Senhor Bom Jesus de Guardinha, distrito de São Sebastião do Paraíso. Itamogi foi a primeira paróquia que o jovem padre Nelson assumiu, entre 1971 e 1975, período em que a cidade passou por transformações profundas e quando foi um microcosmo perfeito da realidade brasileira da época. O país vivia o auge da ditadura militar e ansiava por mudanças. Depois de implantar todos os projetos que idealizara, o religioso assumiu novos desafios, passando por São José da Barra-Furnas, Passos, Bom Jesus da Penha e, agora, Guardinha, morando em Itamogi, que ele ama com todas as forças. (Ver mais em HISTÓRIAS DA BELA REGIÃO)

sábado, 28 de maio de 2011

O escultor da poesia: Lau Fernandes




Um "autor inédito na Europa e na América do Norte, ineditíssimo também na África e no Oriente, dispenso apresentações. Sou, certamente, o maior poeta vivo que minha mãe conhece". Assim Lau Fernandes se apresenta na contracapa do livro "Trem da Vida", de 1995, uma síntese de sua poesia crítica, corrosiva, irônica. Filho de família numerosa, entre seus 19 irmãos está o padre Nelson Fernandes de Oliveira, que começou sua carreira em Itamogi. Lau era artista múltiplo, escultor habilidoso e professor por muitos anos em Guaxupé, onde faleceu há alguns anos. A sua poesia ainda merece um reconhecimento maior no universo da literatura brasileira. (Ver em IDEIAS)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Emoção e alegria na inauguração da nova Biblioteca Municipal de Itamogi

Prefeito Janoário Arantes (centro) e ex-prefeitos Hamilton Dias

e Maria Gregório descerram placa de inauguração



Músicos da Casa da Cultura "Maestro Nino Delicatti"

deram o tom artístico à cerimônia



Grande público na inauguração do novo espaço cultural de Itamogi




Apresentação de cordel por alunos da Escola de Jovens

e Adultos (EJA) foi um dos momentos emocionantes



Emoção, arte e alegria marcaram a cerimônia de inauguração da nova Biblioteca Municipal de Itamogi "Sebastiana Bernardino da Costa Elias", na noite de 29 de abril, sexta-feira. Um bom público compareceu ao evento, que teve momentos marcantes como a apresentação de um cordel, sobre a vida da homenageada, por alunos da Escola de Jovens e Adultos (EJA). Outro destaque foi a exibição de vídeo sobre a biografia da professora Tianinha, que dá nome ao novo espaço cultural itamogiense (ver coluna GENTE). O prefeito Janoário Arantes reiterou que foi sua decisão pessoal dar o nome da educadora à biblioteca. A apresentação de vários números musicais, por jovens da Casa da Cultura "Maestro Nino Delicatti", deu o tom artistico à cerimônia, finalizada com o descerramento da placa de inauguração.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Nova Biblioteca Pública Municipal de Itamogi faz homenagem a professora que deu lição de vida

A professora Sebastiana Bernardino da Costa Elias dá nome à nova Biblioteca Pública Municipal de Itamogi, a ser inaugurada hoje, 29 de abril de 2011. A professora "Tianinha", como é conhecida carinhosamente, deu aulas e foi por muitos anos diretora da Escola Mailon Furtado de Medeiros. A nova biblioteca tem salas para acervo, sala de leitura, para o Arquivo Público Municipal e brinquedoteca. Um novo território do saber, no centro de Itamogi, no prédio onde por mais de 50 anos funcionou a Prefeitura Municipal. (Ver mais na coluna GENTE)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Uma viagem aos diamantes do futebol de Itamogi

I Bola & Viola, realizado em Itamogi com caráter beneficente




Julia, que treina e estuda em Passos




A jovem Julia Vidoni Medeiros que, aos 15 anos, treina com o técnico da seleção mineira sub-17 de futsal. Um ex-jogador, Ivanir de Assis, que se transformou em técnico de equipes vencedoras, no campo ou na quadra, mas sobretudo na vida. A trajetória do Juventus, que escreveu bela página da história do futebol local. Estes são alguns dos diamantes do futebol de Itamogi. Longe da badalação e da máquina milionária em que se transformou o futebol, homens e mulheres, meninos e meninas, perpetuam a paixão do brasileiro pelo futebol, que está entranhado na alma, na cultura nacional. (Ver mais na Coluna GENTE)

domingo, 24 de abril de 2011

O dourado no coração de Itamogi

Final de tarde, o sol se pondo, o céu fica douradinho, colorindo a matriz de São João Batista e tudo o mais no coração de Itamogi. (Imagens em OLHARES)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Música na Praça volta a encantar Itamogi e região

Correto & Corrente, legítima música de raiz brasileira

(Foto Renato Fabretti)

Um show de simpatia. Foi assim a apresentação de Correto & Corrente, em mais uma edição do Música na Praça, neste domingo, 17 de abril, em Itamogi. Muita gente na praça São João Batista para apreciar esses legítimos representantes da mais genuína música de raiz brasileira, além de outras atrações da iniciativa que já se consolida como uma das mais completas e diversificadas opções culturais da região. Espaço para a expressão de novos talentos, mas também para o resgate de grandes nomes consagrados e queridos, como a dupla Correto & Corrente.

sábado, 19 de março de 2011

Bacia do Rio Grande sofre com falta de tratamento de esgotos e depósito inadequado de lixo


A Bacia do Rio Grande, compreendendo o Sul de Minas Gerais e Nordeste de São Paulo, sofre com a falta de tratamento de esgotos e com a destinação inadequada de resíduos sólidos urbanos. Esta é uma das conclusões do Diagnóstico da Situação dos Recursos Hídricos na Bacia Hidrográfica do Rio Grande (BHRG) - SP/MG, elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), ligado ao governo de São Paulo. Encontrar caminhos para o tratamento de esgotos e destinação correta do lixo na região é um dos desafios da Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do Rio Grande, que será instalado em junho de 2011 (Ver post abaixo).
O território que corresponde à bacia do Rio Grande tem 143 mil quilômetros quadrados, sendo 60,20% em Minas Gerais e 39,80% em São Paulo. São 393 municípios na bacia, sendo 179 (45,55%) em São Paulo, incluindo Altinópolis, Batatais e Santo Antônio da Alegria, e 214 (54,45%) em Minas Gerais, incluindo Itamogi, Monte Santo de Minas e São Sebastião do Paraíso. São cerca de 9 milhões de moradores, o que significa o segundo Comitê de Bacias Interestadual em população no Brasil, atrás somente do Comitê do Rio São Francisco, onde moram mais de 16 milhões de pessoas em sete estados. Ribeirão Preto, Franca e Uberaba são os municípios mais populosos na bacia do Rio Grande.
56% da área da bacia são cobertos com pastagem e 36% com culturas agrícolas, restando apenas 3,38% de vegetação nativa, sobretudo de Cerrado, o que indica um dos grandes desafios ambientais na região. O rio Grande nasce na Serra da Mantiqueira, em Bocaina de Minas, a cerca de 1980 metros de altitude, e deságua no rio Paraná, na divisa dos municípios de Santa Clara do Oeste (SP) e Carneirinho (MG). São 13 barragens no percurso do rio Grande, cuja bacia representa 8% da capacidade instalada de geração de eletricidade do Brasil, propiciada por 71 hidrelétricas.
Os principais afluentes do rio Grande são, na margem direita, rios das Mortes, Jacaré, Santana, Pouso Alegre, Uberaba e Verde ou Feio. Na margem esquerda, estão os rios Capivari, Verde, Sapucarí-Mirim, Sapucaí (de Minas), Pardo, Sapucaí (de São Paulo), Mogi-Guaçu e Turvo.
A bacia do rio Grande conta com mais de 30 mil estabelecimentos industriais, 54% deles em território paulista. A região tem um rebanho de mais de 94 milhões de cabeças, sendo 86 milhões de galináceos, 7 milhões de bovinos e 1,5 milhão de outros. No total, corresponde a 30% do rebanho de São Paulo e Minas Gerais juntos.
São múltiplos os desafios a equacionar, e o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Grande terá o papel de encontrar caminhos para solucioná-los. Somente em território paulista, entre 2002 e 2005 foram identificadas 344 áreas contaminadas. Também em espaço paulista, foram identificadas 1.647 feições erosivas entre 1987-2007.
O estudo do IPT mostra que 34% da porção mineira da bacia do Rio Grande representam terrenos com erosão agravada por desmatamento generalizado ou queimada e/ou pastoreio em campo tropical. A pior situação é a das sub-bacias do Baixo e Médio Rio Grande e a do Entorno do Reservatório de Furnas, com 94,43%, 72,78% e 64,17%, respectivamente, de área com aceleração da erosão. Itamogi, Monte Santo de Minas e São Sebastião do Paraíso estão localizados na sub-bacia do Médio Rio Grande.
Outros desafios são apontados no estudo do IPT. Um deles está relacionado ao dos óbitos e internações decorrentes de doenças de veiculação hídrica. Foram 345 óbitos somente em 2006, sendo 70% deles registrados em território paulista. Outro ponto crítico se refere ao monitoramento de poços d´água. Somente 45 poços tinham monitoramento. Somente 3% do território da bacia são abrangidos por Unidades de Conservação. E apenas 15% da extensão dos rios da bacia tinham monitoramento. Números que indicam o grande trabalho que o CBH do Rio Grande terá pela frente. (JPSMartins)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Nascer no Sul de Minas é ter pedra e água na alma

Todo brasileiro tem água na alma. Também, em um país com 12,5% da água doce do planeta, um dos maiores aquíferos e litoral de 7 mil km! O brasileiro do Sul de Minas também tem pedra na alma. Pedra de quem resiste nas adversidades, pedra das belas montanhas da região. Pedra e água de Itamogi, Itamonte, Itaú, Guapé (o "tapete verde" das lagoas e rios), Lambari (o peixe do Lago Guanabara) e muito mais... (Ver artigo completo em ÁGUAS DO BRASIL)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

BLOG BELA REGIÃO no Dia Mundial da Água das Nações Unidas


O blog BELA REGIÃO foi incluído entre as organizações voltadas para promover o Dia Mundial da Água de 2011, uma campanha das Nações Unidas. O Dia Mundial da Água, a 22 de março, terá este ano como tema Água para as cidades: respondendo ao desafio urbano. O objetivo de UN Water, o setor das Nações Unidas que promove o Dia Mundial da Água, é promover uma reflexão em escala internacional sobre o impacto do rápido crescimento da população urbana, a industrialização e a incerteza causadas pelas mudanças climáticas, os conflitos e os desastres naturais sobre os sistemas urbanos de abastecimento de água. Neste ano em que o planeta deve chegar a 7 bilhões de moradores, mais da metade já vivem em cidades, indicando enormes desafios para garantir o suprimento de água nas áreas urbanas.
Durante uma semana, entre 16 e 22 de março, o BELA REGIÃO comentará em várias reportagens a situação e os desafios relacionados à água nos municípios mineiros de Itamogi, Monte Santo de Minas e São Sebastião do Paraíso, e nos paulistas de Altinópolis, Batatais e Santo Antônio da Alegria e respectivas bacias hidrográficas onde estão inseridos. Maiores informações sobre o Dia Mundial da Água 2011 e a agenda de eventos da UN Water para a data, na qual a atuação do BELA REGIÃO foi inserida, ver no site:

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Pra que time torço?


Com o artigo "Pra que time torço?", Eduardo Teixeira Marques, de Itamogi (foto), inaugura a página FÓRUM deste blog. Página de debates, com artigos assinados, de responsabilidade de seus autores. Bem vindas novas contribuições!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Grande Festa de Reis em Altinópolis, de 21 a 23 de janeiro

Começa nesta sexta-feira, em Altinópolis, a grande Festa de Reis. É a trigésima nona edição de uma das maiores festas urbanas no Estado de São Paulo. São esperadas 25 mil pessoas entre 21 e 23 de janeiro em Altinópolis, para a apresentação de 40 companhias de Reis dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina. Companhias de reis de Altinópolis, Batatais, Itamogi, Monte Santo de Minas, São Sebastião do Paraíso e Santo Antonio da Alegria estarão presentes.
Dias 21 e 22, festa a partir das 20 horas. No domingo, 22, a partir das 11 horas. Shows musicais, de duplas sertanejas e da Orquestra Sabiá complementam as festividades, no centro de Altinópolis. Uma das mais belas manifestações de fé e cultura popular no interior do Brasil.

sábado, 1 de janeiro de 2011

2011 com a música de Tayane Azarias, de Itamogi

O sax de Tayane, encantando Itamogi e
pronto para voar alto (Foto Renato Fabretti)


Foi uma curiosidade geral entre os moradores de Itamogi, quando Tayane Aparecida Azarias subiu ao palco pela primeira vez no Música na Praça, promoção cultural mensal na praça São João Batista, centro da cidade. Curiosidade porque Tayane iria tocar um saxofone, instrumento incomum para jovens de sua idade. Mas logo que começou a tocar, Tayane demonstrava uma maturidade musical impressionante, para uma menina agora com 14 anos. E dai em diante foi puro deleite, apreciar as músicas populares e eruditas que ela apresentava. E assim ela espera que aconteça em 2011, com muito mais música em sua vida e na dos jovens como ela.
Nascida em Itamogi, uma irmã, Tayane teve um choque, uma revelação, quando viu no Raul Gil, pela primeira vez, o instrumentista Caio Mesquita, lançado no programa de tevê. "Achei muito interessante, comecei a ter uma vontade enorme de tocar como ele", conta a menina. Isso foi em 2006. Ela tinha 10 anos e confessa que não sabia da existência do sax. Aquele som, aquele design charmosíssimo do instrumento, foi um encantamento à primeira vista.
O que fazer? Por intermédio de uma amiga, soube que na Casa da Cultura de Itamogi havia aula de música. E Tayane passou a frequentar as aulas de Luciano Altran, músico de São Sebastião do Paraíso. As aulas básicas, o entendimento do que é a música, o aprender a ler partituras. Toda uma trajetória de descobertas, de assombro, de doces surpresas com aquilo que ela tinha dentro de si mesma e agora aflorava, em notas e sons.
"Sinto uma alegria enorme e um desejo muito grande de tocar e brilhar mais e mais", diz Tayane. Até então, como tantos de sua idade, conhecia poucos tipos de música. E agora, que ela aprecia cardápios musicais mais amplos, Tayne acha que a juventude precisaria conhecer mais outros estilos, outras formas. "Descobri outras culturas, vejo a música de outro ângulo", assinala, para logo citar um dos clássicos da música popular brasileira como revelação, para ela, de outro universo: simplemente Pixinguinha. "A música dele vai no nosso interior, nos faz refletir muito".
E assim vieram outros nomes fundamentais da MPB e também da música erudita, que ela passou a adorar. Ela lamenta que a rádio e tevê normalmente veiculem os mesmos estilos, o mesmo tipo de música ("que repete uma palavra umas cem vezes"), quando existe muito mais além do horizonte. "Quando falamos de outro tipo de música, as pessoas acham no começo que é algo chato. Mas elas precisam e podem aprender outro tipo de música, é muito bom", propõe.
Já tocou em casamentos, se apresentou em Paraíso e começa a receber convites de outras cidades. Mas não esconde, não, sonha mesmo em "brilhar muito, em tocar em Paris". Sonho absolutamente legítimo. Por enquanto, curtiu muito as Congadas no final do ano em Itamogi ("vixe, gosto muito") e tem outro sonho mais imediato, ter um sax próprio, pois o que ela usa é da Casa da Cultura, onde também está aprendendo violão - este ela já tem, dado por um primo. As delicadas descobertas, o fascínio da arte, as surpresas, os talentos brotando por todo esse Brasil enorme e absolutamente musical, como no exemplo do sax de Tayane, de Itamogi, Sudoeste de Minas Gerais, mais um orgulho da bela região.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Balaio Mineiro começa em Itamogi com banda e lançamento de livro

Com uma apresentação da Banda Municipal Nino Delicatti, às 14 horas, começa neste domingo, 26 de dezembro, em Itamogi, a segunda edição do Balaio Mineiro. Oportunidade para conhecer os produtos da terra e de confraternização. O Balaio Mineiro acontece em conjunto com as Congadas, que também começam neste dia 26, com os desfiles dos ternos de congo e moçambique e a famosa comida itamogiense. Milhares de pessoas são esperadas na praça São João Batista.
Logo após a apresentação da Banda Nino Delicatti, acontece o lançamento do livro "Itamogi: Caminhos da sua História", da itamogiense Terezinha Barbosa Guimarães. O livro mostra aspectos fundamentais da história de Itamogi, em vários setores.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Itamogi preparada para as Congadas dia 26 de dezembro

Matriz de São João Batista vestida a rigor,
para esperar Congadas (Fotos Renato Fabretti)



Bandeiras dos padroeiros levantadas:
renovação de fé e esperança



O som das caixas já foi ouvido,
no ritmo do coração itamogiense

A ansiedade aumenta, a comunhão de afetos fica mais intensa. Itamogi está preparada para as Congadas 2010, que começam dia 26 de dezembro e vão até dia 29. Mais uma vez a cidade se renova e se fortalece para um novo ano, bebendo da fonte de sua principal manifestação cultural-religiosa. E tudo temperado com a famosa comida, feita com capricho por tanta gente boa.
No último dia 13, segunda-feira, dia de Santa Luzia, as bandeiras foram levantadas. A Matriz de São João Batista já está vestida a caráter, com a iluminação especial. Os santos padroeiros prontos para abençoar a festa. Ótima ocasião para abrir corações, para a tolerância e a compreensão. A alma mestiça brasileira em alegria profunda. (JPSMartins)

domingo, 12 de dezembro de 2010

Levantamento das Bandeiras abre calendário das Congadas em Itamogi neste dia 13 de dezembro

Congadas em Itamogi: no coração da cidade (Fotos Renato Fabretti)



Levantamento das bandeiras: homenagem aos padroeiros


Renovação de fé e esperança, energia para o corpo e o espírito. Começa nesta segunda-feira, 13 de dezembro, dia de Santa Luzia, com o levantamento das bandeiras, o calendário das Congadas em Itamogi. Será às 20 horas, na praça São João Batista. A mais importante festa cultural e religiosa da cidade, os sons dos tambores que batem no ritmo do coração itamogiense.
As Congadas serão entre 26 e 29 de dezembro, com o desfile dos ternos e a tradicional e saborosa comida - macarrão e batata - que tempera a alma. De modo concomitante, na praça São João Batista, mais uma edição do Balaio Mineiro, com várias barracas para exibição de produtos da terra.
Como em várias cidades da região, as Congadas levam milhares para Itamogi no final de dezembro. São muitos visitantes mas sobretudo os itamogienses ausentes, que não passam um ano sem assistir e ouvir aquela profusão de sons.
Muita tradição em jogo. Acompanhar o trajeto do Rei e Rainha Congo sempre foi emocionante. Antigamente, os ternos faziam suas refeições nas próprias casas dos padrinhos da festa. Que durava o dia todo, por sinal. Muitos ternos inesquecíveis, como o Terno do Doca, com o próprio e Geraldo Naves, entre outros. Pessoas como Donizete Caiana mantêm hoje a tradição. Um banho de alegria e esperança. (Por José Pedro S.Martins)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Levantamento das bandeiras marca início das Congadas em SS Paraíso e região

Bandeiras com padroeiros das Congadas em São Sebastião do
Paraíso (Foto Prefeitura de SS Paraíso)


O levantamento das bandeiras nesta quarta-feira, 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, marca o início das Congadas em São Sebastião do Paraíso, São Tomás do Aquino e outras cidades da região. O levantamento das bandeiras em Itamogi acontece no próximo dia 13, dia de Santa Luzia, a partir das 20 horas, na Praça São João Batista.
Em São Sebastião do Paraíso, a festa começa nesta quarta-feira, 8 de dezembro, a partir das 16 horas, com missa, na matriz de São Sebastião, de levantamento das bandeiras em louvor aos santos padroeiros, Nossa Senhora do Rosário, São Benedito, Santa Efigênia, Santa Catarina, São Domingos e São Jerônimo. A cerimônia das bandeiras acontece em seguida, às 17 horas, na parte externa da matriz.
Sete ternos de congadas e cinco de moçambique participam neste ano das Congadas em São Sebastião do Paraíso. A promoção é da Prefeitura e Associação Paraisense de Defesa do Folclore Brasileiro.
No início de outubro deste ano, o Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de São Sebastião do Paraíso deliberou por tornar as congadas e moçambique como patrimônio cultural imaterial. Decisão histórica, que contribui para a valorização e proteção dessas que são duas das mais importantes manifestações culturais da alma afrobrasileira. O exemplo poderia ser seguido pela região.
O conceito de patrimônio cultural imaterial vem sendo difundido desde 1989 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Em 2003 a Unesco promoveu a elaboração da Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial.
Outras cidades da região também já vivem o clima das Congadas. Em Itamogi o levantamento das bandeiras acontece dia 13, segunda, dia de Santa Luzia. Durante as Congadas itamogienses, de 26 a 29 de dezembro, novamente acontecerá, na praça São João Batista, o Balaio Mineiro, com exposição de produtos artesanais, culturais e agrícolas.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

População da bela região aumentou em 12 mil pessoas em dez anos: Paraíso e Batatais crescem mais

A população da bela região, composta pelos municípios paulistas de Altinópolis, Batatais e Santo Antônio da Alegria, e pelos mineiros Itamogi, Monte Santo de Minas e São Sebastião do Paraíso, aumentou 12.071 pessoas nos últimos dez anos, de acordo com os dados preliminares do Censo 2010, do IBGE, publicados a 4 de novembro no Diário Oficial da União. De acordo com o Censo 2010, ainda sujeito a alterações, a região tem 174.698 moradores, contra 162.627 em 2000. Esse incremento populacional equivale a "duas novas Santo Antônio da Alegria" na região na última década.
Conforme o Censo 2010, São Sebastião do Paraíso teve o maior aumento populacional na década, de 58.335 moradores em 2000 para os atuais 65.019 habitantes. Depois aparece Batatais, com 51.112 moradores em 2000 e 56.248 em 2010. As populações de Altinópolils e Monte Santo de Minas permaneceram praticamente estabilizadas. Em Altinópolis aumentou de 15.481 em 2000 para 15.536 em 2010. Em Monte Santo, de 21.212 em 2000 para 21.246 em 2010.
Sempre segundo o Censo do IBGE, a população de Santo Antônio da Alegria cresceu de 5.764 para 6.300 habitantes em uma década. E a população de Itamogi diminuiu, de 10.723 moradores para 10.349. Cerca de 300 municípios mineiros diminuíram de população na última década, conforme os dados preliminares do IBGE.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Dr.Darcy, uma vocação para servir a comunidade em Itamogi

Dr.Darcy, serviço público e abertura
para a comunidade. (Foto Arquivo da Família)


Durante muito tempo Itamogi não teve hospital ou pronto-socorro. Em muitos casos, os primeiros atendimentos foram feitos por um dentista, o Dr.Darcy Fidélis Marques, que por 40 anos prestou serviços no seu consultório particular e na saúde pública. Uma vocação de serviço à comunidade.
Vocação indicada na data de nascimento: 7 de setembro. Foi em 1936, na Fazenda Marques, município de São Sebastião do Paraíso. Era filho de José Fidelis Marques e Izoldina Emídia Marques. Foi o terceiro de seis filhos.
O interesse pela educação manifestou-se cedo. Em São Sebastião do Paraíso ele fez os primeiros estudos, até o ginasial, antes de se transferir para Belo Horizonte, onde cursou o científico, como era conhecido o atual ensino médio (antes, colegial).
Em 1959 mudou-se para Uberaba e, lá, dois fatos que mudaram a sua vida para sempre. Fez o curso de Odontologia, formando-se em três anos como ocorria na época. E foi em Uberaba que conheceu a sua futura esposa, Ieda. Ela, filha do casal Ludovico Teixeira Rosa e Filonila de Almeida Ferreira, donos do hotel onde Darcy ficou hospedado. O destino, a história, ou Deus, traçando os seus caminhos.
De volta à terra de origem, o Dr.Darcy fixou-se em Itamogi, onde montou consultório e logo ingressou no serviço público. O consultório era no local onde, hoje, funciona a lanchonete do Claudinei, centro da cidade.
Deu aulas de inglês e ciências no Ginásio Estadual de Itamogi e no Grupo Escolar Minas Gerais prestou longos serviços como dentista. Mas não só como dentista, pois ele trocava lâmpadas, arrumava mesas e carteiras e por aí vai.
Foram quatro décadas e, nesse período, atuação em vários setores. Adorava preparar um frango com quiabo, a comida preferida de muitos mineiros, e com a esposa Ieda Teixeira Marques e o casal Emir e Nabirra Elias, entre outros, ajudou a organizar muitos e animados bailes, na Sociedade Recreativa de Itamogi.
Não era fanático por futebol, mas foi juiz em muitas partidas do São Cristóvão. Em uma delas, teve que sair de campo protegido por escolta policial. Pudera, apitou um pênalti contra o time do coração dos itamogienses...
A educação, sempre a educação. Dr.Darcy gostava de ler muito e, atento às coisas de Minas e do Brasil, todo dia estava com o "Estadão" nas mãos. Muitas vezes, o jornal tinha uma de suas páginas rasgadas. Era a página em que era estampada uma partida de xadrez que este articulista, apaixonado pelo jogo, retirava para estudar. O Dr.Darcy fazia de conta que não via a página avariada.
Dr.Darcy e Dona Ieda tiveram dois filhos, Eduardo, cirurgião dentista como o pai, e Débora, farmacêutica bioquímica. "O que ficou do meu pai é a honestidade, a integridade, que busco passar para minhas filhas", diz Eduardo, pai de Marina e Ana Elisa, com sua esposa Silvia. Débora e Fernando deram o neto Vinícius para o Dr.Darcy, inesquecível com seu jaleco azul de dentista. Faleceu aos 65 anos, a 9 de janeiro de 2002, pouco depois, portanto, das Congadas e da Festa de Reis, duas marcas de Itamogi e que ele, como todos conterrâneos, amava tanto. Muita saudade e respeito de todos os que o conheceram. (José Pedro Martins)