segunda-feira, 8 de agosto de 2011

55 anos do Romi-Isetta em Santa Bárbara d´Oeste confirmam pioneirismo e dinamismo da RMC

Convite para o evento em Santa Bárbara d´Oeste



No dia 3 de setembro Santa Bárbara d´Oeste sedia o III Encontro Nacional de Romi-Isettas. Haverá uma carreata comemorativa aos 55 anos de lançamento do Romi-Isetta, mais um gesto que confirma o pioneirismo da Região Metropolitana de Campinas (RMC) em vários segmentos da área industrial e da ciência e tecnologia.

Romi-Isetta é o primeiro carro de passeio fabricado no Brasil. Fruto da visão de Américo Emílio Romi (que inaugurou sua oficina em Santa Bárbara a 3 de setembro de 1929), o veículo foi lançado a 5 de setembro de 1956, sob licença da empresa italiana ISO - S.p.A.Autoveicoli de Milano, detentora da patente da Isetta.

O pavilhão do Romi-Isetta foi o cenário escolhido para a criação da Fundação Romi, a 29 de junho de 1957, como sucessora da Caixa Beneficente de Máquinas Agricolas Romi, fundada em 1951. A Fundação Romi desenvolve há 54 anos vários programas e projetos sociais, sobretudo nas áreas de educação e cultura.

Américo Emílio Romi nasceu a 26 de junho de 1896, em São José do Rio Pardo, onde o pai, Policarpo (casado com Regina), após trabalhar em fazenda de café, participou da reconstrução de uma ponte, orientado pelo engenheiro-escritor Euclides da Cunha, o aclamado autor de "Os Sertões". A família se transferiu para a Itália e Américo estudou eletrônica e mecânica em Milão.

Acidentado durante a I Guerra Mundial, Américo Emilio Romi conheceu sua futura esposa, Olímpia, no hospital onde foi atendido.Os dois se casaram e resolveram mudar para o Brasil. Em Santa Bárbara d´Oeste o casal foi responsável pela construção de uma brilhante história industrial e de trabalhos sociais. Mais uma página do dinamismo e pioneirismo da RMC. (Por José Pedro S. Martins)

domingo, 7 de agosto de 2011

Situação crítica das florestas nas bacias do PCJ e muito grave na RMC

2011 é o Ano Internacional das Florestas, iniciativa das Nações Unidas para promover uma reflexão planetária sobre essas imensas reservas de vida, cada vez mais ameaçadas. O balanço das florestas nos 65 municípios das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) é absolutamente crítico. Na Região Metropolitana de Campinas (RMC), o cenário é de enorme gravidade em relação às florestas remanescentes – entre os 12 municípios com menor índice de florestas nativas remanescentes no conjunto das três bacias, oito estão localizados entre os 19 que formam a RMC. Um cenário geral que exige medidas urgentes para proteger o que resta de mata nativa nas bacias PCJ e sobretudo na RMC, mas principalmente para promover o reflorestamento, como um gesto ético e de responsabilidade com as futuras gerações, pois a necessidade de proteção dos recursos hídricos, por exemplo, demanda um plantio maciço de árvores, particularmente nas margens dos rios.
O Inventário Florestal da Vegetação Natural do Estado de São Paulo, de 2005, revelou que os remanescentes florestais cobrem somente 13,94% do território paulista, o que indica um gigantesco desastre ambiental, considerando que originalmente 80% do território estadual eram cobertos com diferentes tipos de florestas. Na região do PCJ o quadro é ainda pior. Dos 1.530.367 hectares que compõem o território das três bacias, somente 105.403 hectares estavam cobertos com vegetação nativa remanescente, ou 6,89%, cerca da metade, portanto, da média estadual.
Nas três bacias, os municípios com maior porcentagem de vegetação nativa remanescente são Bom Jesus dos Perdões (40,0% do seu território), Nazaré Paulista (36,7%) e Jarinu (29,9%). Dos doze municípios das três bacias com pior índice de vegetação nativa remanescente, oito estão na RMC: Hortolândia (2% do município cobertos com vegetação nativa remanescente), Sumaré (2,5%), Santa Bárbara d´Oeste (5%), Santo Antonio de Posse (5,1%), Paulínia (6%), Artur Nogueira (6,3%), Nova Odessa e Campinas (ambos com 7%). Os outros quatro municípios com menores índice de vegetação nativa remanescente são Santa Gertrudes (3,8%), Cordeirópolis (4,3%), Iracemápolis (5,6%) e Rio das Pedras (6,7%). Todas informações são do Sistema de Informações Florestais do Estado de São Paulo – Quantificação da vegetação natural remanescente para os Municípios do Estado de São Paulo – Legenda IBGE – RADAM 2009. Os dados constam do Plano de Bacias para as bacias PCJ 2010-2020.
Segundo dados do mesmo Plano de Bacias, com informações derivadas da interpretação de imagem do satélite Landsat-TM-7 de 2003, 39,06% do território das três bacias eram cobertos por pastagens, 33,61% com cana-de-açúcar, 7,93% por vegetação nativa, 6% por área urbana, 5,90% por culturas perenes, 4% por reflorestamento e 1,47% por corpos d´água (rios, lagos etc). Pequena discrepância em relação ao índice de vegetação nativa apurado pelo Sistema de Informações Florestais de São Paulo, mas de qualquer modo confirmando a baixíssima porcentagem de vegetação nativa remanescente nas três bacias. Um grande desafio para o desenvolvimento sustentável nessa região cada vez mais populosa e ativa em termos econômicos. (Por José Pedro S.Martins)

sábado, 6 de agosto de 2011

Região inspirou Tarsila do Amaral, que aproximou cultura da natureza

O Abaporu (1928), de Tarsila do Amaral, reproduzido em muro externo da EE Governador Mário Covas, em Monte Mor: região reconhece e valoriza obra da pintora de Capivari (Foto Adriano Rosa)



Um dos maiores prejuízos do afastamento do ser humano do meio ambiente foi a separação entre natureza e cultura. Sociedades cultas são as indígenas, que nutrem milenar reverência pela natureza e a vida em geral, ou as sociedades de alto consumo e depredação ambiental? Nesse sentido a construção de uma nova civilização passa necessariamente pela aproximação de natureza e cultura. Essa dimensão não pode ser esquecida no processo de construção de Agendas 21 Locais.
Felizmente a cultura brasileira tem sido embebida em natureza, através dos tempos. E um capítulo importante dessa cultura in natura foi escrito na região de Campinas, particularmente na área da bacia do rio Capivari. Nada menos que o Modernismo foi fertilizado por influências geradas aqui na região. O papel da pintora Tarsila do Amaral nesse sentido foi determinante. Tudo começou assim.
Em 1928 o escritor Oswald de Andrade ganhou um quadro da pintora Tarsila do Amaral e a reação foi espontânea. “É o homem, plantado na terra”, disse Oswald, que já era o autor de “Memórias Sentimentais de João Miramar” e de “Alma”, o primeiro livro da trilogia “Os Condenados”. Oswald também tinha sido o autor do Manifesto Pau–Brasil, de 1924, outro dos vértices do Modernismo brasileiro, “inaugurado”, segundo todos os compêndios escolares, com a Semana de Arte Moderna de 1922, embora manifestações modernistas tivessem ocorrido antes, com Monteiro Lobato.
O fato é que Oswald se encantou com a obra de Tarsila e o quadro foi batizado de Abaporu, ou “o homem que come”, em tupi-guarani. Seria o correspondente a “antropófago”, que também quer dizer o “homem que come” nos vocábulos gregos (antropos= homem, fagia=comer).
Estava nascendo aí o Movimento Antropofagia, um dos vértices mais importantes do Modernismo brasileiro. Conceitualmente, a Antropofagia reflete a capacidade de assimilação, pela cultura brasileira, com tintura local, própria, dos valores culturais estrangeiros. É o ato, enfim, de deglutir e de metabolizar as influências alienígenas, e o resultado é um prato bem brasileiro, com tempero bem tropical.
As cores fortes de Abaporu, e de outras obras importantes de Tarsila, como o próprio Antropofagia, de 1929, sintetizam o ideal modernista de valorizar a cultura local, radicada na terra, em diálogo permanente com o que é diferente. E nesse valorizar da cultura local está obviamente implícita a valorização da exuberante natureza brasileira e, claro, de forma interligada, do povo brasileiro, de suas crenças próprias, muito ligadas às coisas da terra.
Tarsila do Amaral pôde dar a sua imensa contribuição a esses conceitos básicos do Modernismo em função de sua infância na fazenda da família em Capivari, nas proximidades do rio do mesmo nome, que corta uma boa parte da região. Nascida em 1886, Tarsila teve contato, na fazenda de Capivari, com as coloridas festas populares e com uma natureza que ainda não tinha sido tão modificada como aconteceria a partir da década de 1950 na região de Campinas, em função do crescimento desordenado, sem planejamento.
A influência telúrica, extraída dessas raízes, foi reconhecida pela própria Tarsila do Amaral, como a crítica Aracy Amaral acentua em sua obra clássica sobre a pintora, “Tarsila: sua obra e seu tempo”, publicada pela Edusp e Perspectiva, em 1975. Comenta Aracy Amaral: “Criada na fazenda, a menina Tarsila tinha natural predileção pelas cores que lhe falavam do calendário das festas populares do interior paulista: ´Ensinaram-me depois que eram feitas e caipiras. Segui o ramerrão do gosto apurado... mas depois vinguei-me da opressão, passando-as para as minhas telas: azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante, tudo em gradações mais ou menos fortes, conforme a mistura de branco`.”
A própria figura insólita do Abaporu, certamente produzida sob os influxos do Surrealismo com que Tarsila se embebedou na Europa, é conseqüência direta dessa vivência caipira, como a pintora igualmente confessou posteriormente. “Compreendi que eu mesma havia realizado imagens subconscientes, sugeridas por histórias que ouvira em criança”, disse Tarsila, nas palavras citadas no mesmo livro de Aracy Amaral e referindo-se às várias lendas típicas da cultura popular do interior paulista.
Nascida dois anos antes da Abolição da Escravatura, Tarsila recebeu a poderosa influência da cultura afro-brasileira. Isto ficou claro em quadros como “A Negra”. Tarsila do Amaral faleceu em São Paulo, em 1973, aos 87 anos. Uma vida longa, de amor à cultura brasileira e sua rica biodiversidade.

A obra de Tarsila é hoje reverencida por todo país. As escolas públicas e particulares sempre estão destacando sua vida e obra como exemplos para os alunos. Na Escola Estadual "Governador Mário Covas", em Monte Mor, por exemplo, algumas de suas obras foram pintadas por alunos nos muros externos, que se transformaram em verdadeira galeria, em função de um projeto apoiado pelo Instituto Arcor Brasil. A vida que imita a arte embebida na legítima cultura brasileira. (Por José Pedro S.Martins)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Vazão no rio Piracicaba melhora, mas situação ainda preocupa: futuro em xeque

Cenário desolador no rio Piracicaba nos últimos dias:

futuro demanda ações regionais integradas






Região precisa se mobilizar para garantir água
para mais um milhão de pessoas nos próximos dez anos




Na úlima quarta-feira, 3 de agosto de 2011, a vazão do rio Piracicaba chegou a 50 metros cúbicos por segundo, no município de Piracicaba. Uma vazão superior aos 44,68 metros cúbicos por segundo observados no dia 26 de julho, na menor vazão do ano até o momento. O aumento da vazão é reflexo das chuvas nos últimos dias, mas a situação continua preocupante, renovando a necessidade de uma maior atenção regional para o estado dos rios das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, sobretudo em épocas de estiagem como a atual.
Em Piracicaba, o aspecto do rio ainda é desolador em alguns pontos, como nas famosas pedras na proximidade do Engenho Central. Pedras descobertas, em comparação com o cenário diferente em outras épocas do ano. A média histórica de vazão no rio Piracicaba entre 1965 e 1996 foi de 143,9 metros cúbicos por segundo.
É absolutamente vital, para o futuro da Regiao Metropolitana de Campinas e toda as bacias do PCJ, um maior envolvimento da sociedade nas ações relacionadas aos recursos hídricos. Atualmente, a demanda de água nos 65 municípios das três bacias é de 36,34 metros cúbicos por segundo, sendo 19,06 m3/s pelo setor urbano, 10,58 pelo segmento industrial e 6,69 para a área agrícola, via irrigação.
Sem ação efetiva de proteção das águas, em termos de qualidade e quantidade, não haverá garantia para satisfazer as demandas futuras, diante do crescimento populacional esperado e de novas atividades econômicas previstas. A projeão contida no Plano de Bacias 2010-2020 do PCJ é que, em 2020, a região tenha quase 6 milhões (cerca de 5,9 milhões de moradores), contra os atuais 5 milhões de moradores. Uma "nova Campinas", com aproximadamente 1 milhão de moradores, será então acrescentada à região em uma década.
O Plano de Bacias prevê uma demanda de 22,63 metros cúbicos por segundo para o setor urbano em 2020 (de acordo com o cenário tendencial projetado), mais uma demanda industrial de 12,17 m3/s e uma demanda para irrigação de 6,81 m3/s, somando 41,61 m3/s. Ou seja, em uma década a demanda aumentará em 5 metros cúbicos por segundo, aproximadamente. De onde sairá essa água, considerando o estresse hídrico já observado na região, e que se agrava muito em períodos de estiagem como o atual? Apenas com muito planejamento, uso muito eficiente da água e planejamento, planejamento e planejamento, com ações integradas e coordenadas, envolvendo setores público, privado e sociedade civil organizada. Um desafio e tanto. (Por José Pedro S.Martins)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Pró-reitor da Unicamp denuncia a insustentabilidade nas grandes cidades


Professor Mohamed Habib pediu políticas públicas

para evitar mortes de jovens por homicídios no Brasil

(Fotos Adriano Rosa)



Pró-reitor da Unicamp e jornalista José Pedro Martins

debatem sobre papel do cidadão diante de desafios metropolitanos


Teatro do SESC Campinas praticamente lotado

na exposição do professor Mohamed


A insustentabilidade nos grandes centros urbanos brasileiros, como na Região Metropolitana de Campinas (RMC), foi denunciada pelo biólogo Mohamed Habib, pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da Unicamp, durante debate nesta quinta-feira, 4 de agosto, no Teatro do SESC Campinas. O debate sobre Meio Ambiente Urbano: Qualidade de Vida e Harmonia Social integrou o ciclo de palestras "Fala mais sobre isso!", promovido pelo SESC Campinas.

O professor Mohamed Habib observou que a Revolução Industrial provocou uma completa modificação no panorama mundial, sobretudo nos últimos 100 anos, período em que a população passou de 2 bilhões para quase 7 bilhões de pessoas. Uma das radiciais modificações, observou, foi o perfil populacional. Há cinco décadas, mais de 70% da população brasileira viviam na zona rural. Hoje, mais de 80% moram nas cidades, especialmente em grandes centros urbanos, "que não foram preparadas para receber esse fluxo migratório", destacou o biólogo.

As grandes cidades continuam, regra geral, sem planejamento, vivendo apenas do improviso, lamentou o professor Mohamed. Ele entende que a enorme concentração de renda no Brasil é uma razão estrutural para a insustentabilidade nos grandes centros urbanos.

Um dos indicadores mais claros da insustentabilidade, acentuou, é o fato de que todo ano morrem no Brasil entre 40 mil e 50 mil pessoas por homicídio, em sua grande maioria jovens. O pró-reitor da Unimep pediu, então, políticas públicas urgentes para evitar essa grande catástrofe. Citou o caso da aplicação de medidas mais rígidas no trânsito, que a seu ver tem evitado grande número de mortes.

O passivo ambiental nas grandes cidades e o aquecimento global são outros reflexos da insustentabilidade, protestou o professor Mohamed, lembrando que mais de 50% dos gases de efeito-estufa são emitidos pela frota automotiva. Pediu, então, urgência igualmente em medidas para impulsionar o transporte coletivo e outras. "As cidades foram pensadas para que as pessoas vivessem melhor. Mas por que, hoje, na sexta-feira, milhões de pessoas deixam as grandes cidades e vão procurar um lugar mais tranquilo para descansar?", indagou, como um exemplo de que as pessoas estão insatisfeitas com o modo de vida nas grandes cidades.

Maior informação para a cidadania e melhoria na educação são, para o professor Mohamed, caminhos absolutamente estratégicos para a construção de outro formato de cidade, completou. O pró-reitor da Unicamp defendeu, então, uma ampla reforma educacional no Brasil, para que de fato o país que hoje é a sétima economia global não continue sendo o país colocado no lugar de número 69 no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). "Não precisamos apenas de mais médicos, engenheiros ou advogados, precisamos seres humanos melhores", concluiu, para o aplauso geral do público, que quase lotou o Teatro do SESC Campinas.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Macrometrópole de São Paulo a todo vapor, e RMC tem chance histórica com Agenda 21

Por José Pedro Martins



O governo de São Paulo está acelerando os passos para a estruturação da macrometrópole paulista, um gigante de 153 municípios e onde vivem quase 30 milhões de pessoas. Uma nova configuração do espaço, uma nova visão de governança, repleta de desafios e oportunidades. Com o novo cenário que está sendo desenhado, a Região Metropolitana de Campinas (RMC) tem oportunidade histórica, se transitar para a elaboração de uma pioneira Agenda 21 Metropolitana.

A macrometrópole plenejada pelo governo paulista é formada pelas Regiões Metropolitanas de São Paulo, Campinas e Baixada Santista, além das Aglomerações Urbanas de Piracicaba, Jundiaí e Região do Vale do Ribeira. Um espaço contínuo imenso. A RMC, que tem 19 municípios, tem uma sinergia especial com a Aglomeração Urbana de Piracicaba, que soma 24 municípios. As duas integram a bacia do Rio Piracicaba, cujos municípios tem muitos interesses comuns.

O governo de Geraldo Alckmin, de fato, tem intensificado a corrida para estruturar a macrometrópole paulista, que em poucos anos se consolidará como um dos principais centros econômicos do planeta. Nesse sentido foi constituída a Câmara de Desenvolvimento Metropolitano. Composta por 11 secretarias e presidida pelo próprio governador, a Câmara foi criada com o objetivo manifesto de “estabelecer a política estadual para as regiões metropolitanas e outras concentrações urbanas de São Paulo”.
No mesmo evento o governador assinou projeto criando a Aglomeração Urbana de Jundiaí, integrada por sete municípios. A Aglomeração Urbana de Jundiaí, quando constituída, vai se juntar às regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas e Baixada Santista, e também às aglomerações em torno de Sorocaba e São José dos Campos, formando a grande macrometrópole paulista. A macrometrópole, com 153 municípios, soma 72% da população e 80% do PIB paulista, ou 27% do PIB brasileiro. Potência maior do que muitos países.

O governo paulista, por meio da Emplasa, também está providenciando o mapeamento digital da macrometrópole. Segundo a empresa, será executado o "mapeamento terrestre básico da Macrometrópole, na escala 1:10 000, gerando informações geoespaciais padronizadas, atualizadas e confiáveis de uma área de 55 000 km², compondo uma base territorial de apoio à gestão pública e às ações de governo".

Alckmin sabe que é enorme o desafio de gestão eficiente da macrometrópole, território de enorme complexidade mas que, também, terá papel central no mundo globalizado. O futuro energético, de logística e das novas (bio-nano-info) tecnologias do Brasil e da América Latina passa pelo que acontecer na macrometrópole paulista.

A governabilidade da macrometrópole paulista será fundamental para o futuro das metrópoles brasileiras. Atualmente, em 2% do território brasileiro se espremem mais de 40% da população nacional, os moradores das regiões metropolitanas. A RMC é desses casos.
Entretanto, ainda não existe governança adequada para as metrópoles brasileiras. A Constituição de 1988 e nem o Estatuto da Cidade previram isso. A configuração jurídica e política dos municípios de áreas metropolitanas é a mesma que a de gigantesco município com população reduzida, como em casos no Centro-Oeste e Amazônia, ou a de pequeno município com pequena população.

A governança das metrópoles representa, então, enorme desafio. O que dirá, então, a governança da macrometrópole. Será essencial um diálogo em bases republicanas entre governo estadual, governos municipais, parlamentos estadual e municipais e a sociedade civil organizada para que a governança ocorra. O governo federal também tem o seu papel.

Neste contexto, a Região Metropolitana de Campinas tem oportunidade histórica, se evoluir a ideia de formulação de uma Agenda 21 Metropolitana, que seria a primeira no pais. Uma Agenda 21 que considere a realidade, os desafios e o futuro de áreas estratégicas como saúde, educação, transportes, meio ambiente e ciência e tecnologia, entre outras.

A estruturação da macrometrópole paulista pode abrir muitas oportunidades. Já está se falando de um trem regional, por exemplo. Mas existem situações para as quais a cidadania precisa ficar muito atenta. Como ficará o abastecimento de água e o saneamento na macrometrópole? Como será a gestão dos resíduos, considerando que não há mais áreas disponíveis para novos aterros sanitários? Como poderá ser alcançada a melhoria da educação, absolutamente vital para o desenvolvimento sustentável nesse gigante metropolitano?

Perguntas cujas respostas dependem de muitos fatores e sobretudo de planejamento, de ações intersetoriais, integradas, multidisciplinares. A RMC pode contribuir, se evoluir a ideia de uma Agenda 21 Metropolitana, que poderia ser um modelo para as demais áreas extremamente conurbadas de São Paulo. A proximidade da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, e a realização da Copa de 2014 são eventos que podem alimentar a discussão sobre o futuro da macrometrópole e, em particular, a organização de territórios específicos como a RMC. Há muito em jogo, é uma questão para a qual a cidadania em geral deve ficar muito atenta.


(José Pedro Martins é jornalista e escritor, autor entre outros dos livros "Agenda 21 Municipal na Região Metropolitana de Campinas", de 2002; "Agenda 21 Regional", em co-autoria com Paulo Rochedo, 2004; "Agenda 21 Local para uma Ecocivilização", 2005; e "Região Metropolitana de Campinas, do nascimento à maturidade", 2008.)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Meio ambiente urbano é tema de debate no SESC-Campinas dia 4 de agosto

Meio Ambiente Urbano: Qualidade de Vida e Harmonia Social. Este é o tema do debate que acontece nesta quinta-feira, dia 4 de agosto, a partir das 14 horas, no Teatro do SESC-Campinas (rua D.José I, 270/333 - Bonfim, Campinas), com entrada grátis. O principal conferencista será o pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da Unicamp, o biólogo professor Mohamed Habib. O evento faz parte da série de encontros no SESC-Campinas, batizada de "Fala Mais sobre isso!"

O evento desta quinta-feira inclui a apresentação de um case sobre Cooperativismo e reciclagem, com a participação de José Ronaldo Salles Fernandes, do Centro de Referência em Cooperativismo e Associativismo (CRCA), e Valdecir Aparecido Viana, presidente da RECICLAMP - Central Solidária de Vendas. O jornalista José Pedro Martins faz a mediação do encontro.

O propósito geral do evento é a discussão sobre o que significa ter qualidade de vida e harmonia social em um ambiente urbano, considerando aspectos como consumo de recursos naturais e energia e destinação de resíduos. Maiores informações: (19) 3737.1500.

O professor Mohamed Habib é uma das principais referências em sustentabilidade na região de Campinas e bacia do rio Piracicaba. Recebeu entre outros o título de "Grande Defensor da Ecologia", concedido pela Câmara Municipal de Campinas (SP), nos termos do Decreto Legislativo nº 205 de 04 de julho de 1984 e recebido durante uma cerimônia no dia 22 de janeiro de 1985. Do mesmo modo, como co-autor do "Manual Direitos Humanos No Cotidiano", obra pioneira inspirada pela Declaração dos Direitos Humanos da ONU, recebeu do Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, a Medalha "Direitos Humanos, o Novo Nome da Liberdade" em novembro de 1998. Recebeu, ainda, o Título de "Cidadão Campineiro", concedido pela Câmara Municipal de Campinas (SP), nos termos do Decreto Legislativo nº 1.283 de 20 de dezembro de 1999. E foi Personalidade Brasil 500 anos, Título Honorífico concedido pelo Centro Empresarial Cultural do Estado de São Paulo, no dia 12 de junho de 2000.