quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Região é destaque no Dia Internacional do Idoso


Represa em Santo Antônio da Alegria é espaço para atividades esportivas: tudo pela saúde.


Atividades físicas com Terceira Idade em Santo Antônio da Alegria, destaque na proteção ao idoso (Fotos José Pedro S.Martins)

No dia primeiro de outubro novamente se comemorou o Dia Internacional do Idoso. Data lembrada desde 1990, por resolução da ONU. Também por determinação das Nações Unidas foi celebrado em 1999 o Ano Internacional do Idoso, que contribuiu para acelerar a reflexão global sobre o novo status da chamada Terceira Idade na sociedade planetária. Cidades da região se destacam no oferecimento de qualidade de vida aos idosos.
Santo Antônio da Alegria foi considerada a cidade que melhor oferece qualidade de vida aos idosos em território paulista, de acordo com o primeiro levantamento do Índice Futuridade, criado pela Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, com metodologia da Fundação SEADE e chancela do Fundo de População das Nações Unidas - UNFPA. Altinópolis ficou em segundo lugar no Índice Futuridade, entre os 645 municípios paulistas.
O Índice Futuridade observa a existência no município de ações ou programas de turismo, esporte e cultura, em benefício dos idosos, entre outras informações. Em uma escala de 1 a 100, o município mais próximo de 100 é considerado aquele de melhores serviços aos idosos.
Em Santo Antônio da Alegria são oferecidas várias atividades para a Terceira Idade, como exercícios físicos, sempre com acompanhamento médico. O professor José Nilton Ribeiro coordena as atividades físicas. A represa na entrada da cidade e o ginásio poliesportivo são espaços privilegiados para os exercícios. Mas a grande atração para os idosos é o baile nos finais de semana. Forró sempre animado.
Em Altinópolis, várias ações também são oferecidas. Além do esforço público, a cidade conta com atividades de grupos como o Clube da Terceira Idade dos Jovens de Ontem. O clube funciona na antiga estação ferroviária. Uma ligação com a memória afetiva da cidade, em benefício da qualidade de vida total dos jovens de sempre. Em todos os demais municípios da região também existem ativos grupos da Terceira Idade. (Por José Pedro S.Martins)



Minas e São Paulo com novos governadores: algumas explicações

Auditório JK e Palácio Tiradentes (Fotos José Pedro S.Martins)


Edifícios Minas e Gerais, novo endereço de secretarias estaduais


Cidade Administrativa Tancredo Neves, símbolo do governo Aécio Neves


As eleições de 3 de outubro apontaram os novos governadores de Minas Gerais e São Paulo. Em Minas, na realidade foi reeleito Antonio Anastasia, pelo PSDB. Ele era vice de Aécio Neves, que se afastou para disputar e vencer uma das duas vagas para o Senado. Assim, Anastasia já tinha assumido o governo mineiro, sendo reeleito em primeiro turno a 3 de outubro. Em São Paulo, foi eleito, também pelo PSDB, Geraldo Alckmin, que já havia sido governador paulista anteriormente.
Dois maiores colégios eleitorais do país, Minas e São Paulo continuarão tendo peso enorme na política nacional. Vem sendo assim desde a Proclamação da República, em 1889, que aconteceu em grande parte pela força do café. Nas primeiras décadas do século 20, vigorou inclusive a famosa "Política Café Com Leite", como foi batizada a alternância de mineiros e paulistas na presidência da República - dois deles, inclusive, saídos da região, Wenceslau Braz e Washington Luís.
Os analistas indicam que um dos motivos para a vitória expressiva de Anastasia em Minas se deve à visão de Aécio Neves em sua passagem pelo governo mineiro. Entre suas principais realizações, e talvez a mais simbólica, sem dúvida está a Cidade Administrativa Tancredo Neves, a nova sede do governo mineiro, no bairro Serra Verde, em Belo Horizonte.
Para assinar o projeto arquitetônico Aécio convidou Oscar Niemeyer, o grande parceiro (ao lado de Lúcio Costa) do mito mineiro Juscelino Kubitschek na construção Brasília. Não deixou de ser, então, um resgate da memória de JK e, por extensão, da autoestima mineira. E não por acaso a Cidade Administrativa Tancredo Neves já é conhecida entre muitos mineiros como "mini-Brasília", pelas semelhanças entre a capital federal e o novo espaço que sedia o governo mineiro.
Com a construção da Cidade Administrativa, as secretarias municipais, que estavam localizadas no centro de Belo Horizonte, foram todas centralizadas no novo espaço, às margens da chamada Linha Verde, que liga a capital ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves. Já tem sido enorme o impacto da localização da Cidade Administrativa nessa região, como indutor do Vetor Norte, novo eixo de desenvolvimento na região metropolitana de Belo Horizonte. Municípios como Pedro Leopoldo, Confins e Lagoa Santa já vivem uma fase de euforia e de novos empreendimentos, como consequencia dessa localização. E o futuro macroanel viário, em torno de BH, vai reforçar ainda mais o Vetor Norte. Sem falar na Copa de 2014: pela série de trapalhadas em São Paulo, muitos mineiros já acreditam piamente que a abertura do mundial do Brasil será no Mineirão, que está em obras aceleradas.
Acessibilidade total para pessoas com deficiência, preocupação ambiental (aproveitamento de água das chuvas, sistema de esgoto sanitário a vácuo, coleta seletiva de resíduos, criação do Parque Estadual Serra Verde etc), Auditório JK são outros ítens da Cidade Administrativa Tancredo Neves, maior projeto corporativo implementado no país, com 270 mil metros quadrados de área construída, em 804 mil m2 totais. Foi a primeira megaobra no Brasil que teve a participação de todas as grandes construtoras nacionais. Isso foi possível pela divisão do projeto em lotes para a construção dos diferentes edifícios. Enfim, projeto de enorme impacto, com nítida influência no resultado das eleições de 3 de outubro.
São Paulo - Em São Paulo, analistas comentaram a vitória de Geraldo Alckmin como fruto de obras realizadas em seguidos governos do PSDB e, ainda, como uma possível reação do eleitorado paulista a aspectos do governo Lula e ações de membros do PT, entre outros fatores. O certo é que Minas e São Paulo continuarão no centro da política nacional, e o futuro do Brasil continuará passando por aqui. (Por José Pedro S.Martins)













segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Região contribuiu para consolidar democracia no Brasil

No próximo dia 3 de outubro 135 milhões de brasileiros estarão aptos a votar de presidente da República e governadores estaduais para senadores e deputados federais e estaduais. Trata-se de uma das maiores eleições no planeta, superada talvez apenas pelo pleito na Índia e nos Estados Unidos. Na China, como se sabe, não há eleições totalmente livres.
A nossa bela região tem muito a ver com essas eleições diretas para presidente, as sextas após o retorno da democracia política. A região foi o berço político de dois presidentes da República, Wenceslau Braz e Washington Luís, que começaram suas carreiras respectivamente em Monte Santo de Minas e Batatais. Além disso, três governadores estaduais começaram pela região: os próprios Wenceslau Braz e Washington Luis (que foram governadores de Minas Gerais e São Paulo) e Altino Arantes, ex-governador paulista.
Foi o momento em que a região era uma das forças na economia do café, que dominou a política brasileira por décadas, da Proclamação da República até a queda da bolsa de Nova York em 1929, episódio que abriu as portas para o movimento que levou Getúlio Vargas à presidência. O último presidente do período foi justamente Washington Luis. (Mais detalhes em artigos nesta página)
É muito importante, então, que a região valorize esse momento histórico, fundamental para o processo que levou à consolidação da democracia política no país.
Meu grande abraço, bela região. (Por José Pedro S.Martins)

De Paraíso, o som que chega ao planeta

Calimerio Soares ao lado da estátua a Beethoven,
em Bonn, Alemanha (Foto Arquivo Pessoal Calimerio Soares)


Nascido em São Sebastião do Paraíso, Calimerio Soares tem hoje composições executadas em vários países, além de constantes apresentações no Brasil. No último dia 17 de setembro, sua obra "Frevo" teve estréia mundial em concerto do duo pianístico Celina Szrvinsk e Miguel Rosselini, na Sala Thomas Jefferson, em Brasília. Formado pelo Conservatório Musical de Ribeirão Preto, em 1968, no ano seguinte já estava no Triângulo Mineiro. Deu aulas na Universidade Federal de Uberlândia até 2001 e fez doutorado na Universidade de Leeds, na Inglaterra, um dos celeiros musicais europeus. Calimerio Soares entende que a música erudita vive um momento de efervescência no Brasil. Momento para o qual ele contribuiu muito. (Ler artigo completo em GENTE)

De Itamogi, o padre que constrói Igrejas

Nascido em 1960, o padre Levi Fidélis Marques cumpre um ritual todo final de ano. Não deixa, de forma alguma, de participar das Congadas em Itamogi, a sua querida terra natal. Ordenado em 1987, depois de estudar em seminários de Guaxupé, Poços de Caldas, Aparecida e Uberaba, ele se tornou um construtor de Igrejas e capelas. Liderou a construção de várias delas, em Conceição das Alagoas e Sacramento, ambos municípios no Triângulo Mineiro, onde dirigiu suas primeiras paróquias. Desde 2009 está na paróquia de Santa Teresinha, em Uberaba. Próximo de completar 25 anos de sacerdócio, padre Levi não se esquece de suas influências, como o padre Nelson e suas primeiras professoras. (Ler artigo completo em GENTE)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

REGIÃO DE CAMPINAS E PIRACICABA, 30 ANOS DE MUDANÇAS RADICAIS

Três décadas de mudanças radicais para a região de Campinas e Piracicaba, região situada nas grandes bacias do rios Piracicaba e Capivari. Este blog, BELA REGIÃO CAMPINAS, tentará comentar o que houve e o que eventualmente é possível esperar dessa região, pela ótica de alguém que acompanhou muitas destas transformações e mudou com elas.
Em 2010 completo 30 anos de jornalismo, e a imensa maioria deles foi vivida na região, primeiro em Piracicaba, depois em Campinas. Em Piracicaba porque estudei e me formei na Unimep, e lá morei e trabalhei, entre 1981 e primeiro semestre de 1986. Trabalhei no jornal "O Diário", dirigido pelo brilhante Cecílio Elias Netto, e também na própria Unimep e colaborei com várias publicações.
Depois de um período morando em São Paulo e Brasília, atuando na Agência Ecumênica de Notícias (AGEN), voltei à região, agora morando em Campinas, a partir de 1990. Trabalhei até 2000 no Correio Popular, com o qual passei a colaborar desde então, com uma coluna semanal aos domingos.
Me dediquei a publicar livros desde 1987, ano de lançamento do meu primeiro título, "Ecologia ou Morte - Os Cristãos e o Meio Ambiente", pela Editora FTD, de São Paulo. A grande maioria desses livros se refere a temas ligados a cidades específicas ou ao conjunto da Região Metropolitana de Campinas e às bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Por essa circunstância pude acompanhar muitos fatos de enorme relevância nesses 30 anos. A visão deste blog, então, será a de alguém que dá o seu próprio testemunho sobre o que vivenciou, embora opiniões de outras pessoas, igualmente testemunhas dessas transformações, também devam ser publicadas por aqui. Opiniões que, obviamente, muitas delas serão contrárias ao deste jornalista, e é muito bom e desejável que assim seja.
Transformações que não podem ser ignoradas
Entendo que, dentre as inúmeras mudanças regionais, quatro gigantescas devem ser destacadas. A primeira é o estado das águas da região. Nenhuma cidade ou região tem futuro sem água, em quantidade e qualidade. Isto é um fato ao longo de toda história da humanidade e não seria diferente em um território que, entre o final dos anos 1970 e início dos 1980, tinha uma perspectiva absolutamente negativa em termos de seus recursos hídricos. Aluno na Unimep e escrevendo para jornais em Piracicaba, pude ver como o povo dessa cidade se envolveu de corpo, alma e poesia para salvar o seu rio, o que significaria salvar todos os rios da região.
A retirada de uma fabulosa quantidade de água da bacia do rio Piracicaba, por intermédio do Sistema Cantareira, viabilizou o impressionante crescimento da Grande São Paulo, que se tornou uma das maiores metrópoles globais. Mas essa retirada de água colocou em xeque o futuro de toda bacia do Piracicaba, as cidades de Campinas e Piracicaba incluídas.
Além disso, os rios da região sofriam com uma poluição desenfreada. Menos de 5% dos esgotos urbanos, por exemplo, eram tratados naquele momento. Pois esse quadro mudou, se não totalmente, ao menos consideravelmente nas últimas três décadas. A região passou a ter voz na decisão sobre as águas do Sistema Cantareira e, em especial, avançou muito o controle da poluição dos rios, primeiro pelas empresas (setor sucroalcooleiro e indústrias em geral), e depois pelos municípios.
A criação do Consórcio das Bacias dos rios Piracicaba e Capivari, em 1989 (depois passando a incorporar a bacia do rio Jundiaí), a legislação estadual e brasileira de recursos hídricos (levando à criação dos Comitês e Agência de Bacias e instituição da cobrança pelo uso da água) e as ações individuais de alguns municípios foram essenciais para mudar o estado atual das águas na região. Cerca de 50% dos esgotos urbanos já são tratados, com destaque para Campinas, maior município da região, que chega em 2011 com a capacidade de tratar 100%.
O papel reconhece o que as ruas já sabiam
Outra grande transformação foi a criação da Região Metropolitana de Campinas (RMC), em 2000, pela Lei Complementar Estadual 870. A idéia de uma região metropolitana em torno de Campinas era antiga, tendo sido cogitada já no período militar, mas os prefeitos da região e outras lideranças, sabiamente, manifestaram resistências, temendo a centralização do poder nas mãos dos governos estadual e federal que, como se sabe, eram comandados pelas mesmas mãos.
Mas após o fim da ditadura a idéia voltou a ser discutida. Em 26 de junho de 1993, fui autor de uma reportagem no Correio Popular, intitulada "Fórum regional debaterá processo de metropolização". Era um sinal do movimento que tomava corpo. Mas o processo ainda se prolongou, até a decisão de 2000, depois de muita polêmica e um sem número de reuniões e mais reuniões e idas e vindas e "inções e vinções" como gosta de brincar um colega.
Com a RMC, a região de 19 municípios (incluindo alguns dos mais populosos da bacia do rio Piracicaba) passou a ter nova ferramenta para planejar o seu futuro. Um planejamento com olhar de fato regional, o que sem dúvida não ocorreria sem traumas, considerando a história política brasileira do município olhar para dentro de si mesmo, e não para o além-fronteiras.
Na prática, a criação da RMC era, entretanto, apenas um ato legal, pois a conurbação já existia e muitas cidades estavam coladinhas uma na outra. Mas faltava a decisão política, o que não ocorreu sem uma galeria de controvérsias.
A economia do conhecimento chega ao poder
Uma terceira e profunda transformação, ocorrida nos últimos 30 anos na região, acompanhou a metamorfose verificada no planeta como um todo, resultante da importância cada vez maior da chamada economia do conhecimento. Se no comecinho dos 80 a informática não era nem um centésimo do que é hoje, e o Brasil ainda sofria com os impactos da reserva de mercado, a região de Campinas-Piracicaba era uma das áreas no Brasil que mais se demonstrava preparada para o que viria a seguir.
Com seguidos e muito rápidos avanços na Ciência e Tecnologia, a economia do conhecimento foi levada ao céu nas últimas três décadas, em todo planeta. Como a região de Piracicaba-Campinas já tinha importantíssimos centros científicos e tecnológicas, ela naturalmente se beneficiou dessa extrema valorização e evolução da economia do conhecimento. E nos últimos anos outros centros de pesquisa e desenvolvimento foram implantados na região, ampliando o seu potencial competitivo.
Duas "Campinas" inteiras construídas na região
Nos últimos 30 anos a população das bacias dos rios Piracicaba e Capivari aumentou em mais de 2 milhões de moradores. É como se duas "Campinas" inteiras tivessem sido construídas na região no período. Seria impossível que um incremento demográfico desses não tivesse algum efeito, no meio ambiente, na qualidade dos serviços públicos, no déficit habitacional, entre outros impactos.
Pois agora, final de 2010, a região tem um grande desafio pela frente. As projeções são de um crescimento da economia e da população regional ainda maior nos próximos anos.
Perguntas que não se desmancham no ar
Ficam, diante desse quadro, algumas perguntas no ar: (1) Como os avanços no saneamento básico e outras medidas na área ambiental contribuirão para a sustentabilidade do crescimento econômico e demográfico regional? (2) Como o pólo regional de ciência e tecnologia irá colaborar com esse crescimento, por exemplo em termos de geração de novos e necessários empregos e com novas formas de viver em cidades cada vez mais saturadas? (3) Como a estrutura da Região Metropolitana de Campinas (RMC) dará resposta à complexidade desse projetado novo crescimento econômico e populacional?
Perguntas que deverão ser respondidas pelo conjunto da região. Neste blog, repito, comentários sobre o que este jornalista pôde acompanhar nos últimos 30 anos. Um olhar sobre o que vivemos talvez ajude a entender o que estamos vivendo e o que nos espera, se é que dá para fazer alguma projeção nesse mundo cada vez mais dinâmico e incerto e sujeito, literalmente, a chuvas, trovoadas ou secas cada vez mais intensas.
Bem vindos, voltem sempre ao Bela Região Campinas. (Por José Pedro S.Martins)

domingo, 12 de setembro de 2010

Wenceslau Braz, de Monte Santo para o fogo da Primeira Guerra Mundial

"Senhores Membros do Congresso Nacional. Cumpro o penoso dever de comunicar ao Congresso Nacional que, por telegramas de Londres e Madri, o Governo acaba de saber que foi torpedeado, por um submarino alemão, o navio brasileiro Macau e que está preso o seu comandante. A circunstância de ser este o quarto navio nosso posto a pique por forças navais alemãs é por si mesma grave, mas esta gravidade sobe de ponto com a prisão do comandante brasileiro. Não há como, Senhores Membros do Congresso Nacional, iludir ou deixar de constatar, já agora, o estado de guerra que nos é imposto pela Alemanha".
Com estas palavras, o presidente da República, Wenceslau Braz, comunicava oficialmente ao país a 26 de outubro de 1917 que o Brasil estava, sim, em guerra contra a Alemanha, como parte do conflito que já se arrastava desde 1914 especialmente no teatro europeu. Ao lado de Wenceslau Braz estavam o ministro das Relações Exteriores, Nilo Peçanha, e o presidente (atual governador) de Minas Gerais, Delfim Moreira, conforme mostrou uma foto histórica, de autor desconhecido, que integra o Arquivo Plínio Doyle, e foi reproduzida em "Wenceslau Braz, 9 presidente do Brasil", da Série Os Presidentes, de Hélio Silva.
Foi uma das decisões mais graves tomadas por Wenceslau Braz em seu período na presidência, entre 15 de novembro de 1914 e 15 de novembro de 1918. Uma posição sem dúvida inimaginável, em 1895, quando Braz assumiu o posto de agente executivo, correspondente ao do atual promotor público, em Monte Santo de Minas.
Nascido em São Caetano da Vargem Grande (atual Brasópolis), em Minas Gerais, no seio de uma família de políticos, em 26 de fevereiro de 1868, formou-se em Direito em São Paulo em 1890. Começou sua carreira profissional no interior de Minas, sendo agente executivo em Monte Santo em 1895 e 1898. Um período turbulento, no qual a cidade assiste ao lançamento do primeiro jornal, "O Correio de Monte Santo", e ao aparecimento do lampião, ambos em 1894, mas ao mesmo tempo é palco de uma grave epidemia de cólera, no ano seguinte. Em 1892 Monte Santo tinha sido elevada a cidade.
Wenceslau Braz foi ainda presidente da Câmara Municipal de Jacuí, antes de iniciar uma rápida carreira na política partidária, sendo deputado estadual e federal, além de titular de várias secretarias do governo mineiro, até assumir a presidência (atual governo) do Estado, em 1909.
Ficou por pouco tempo no governo, pois a 1 de março de 1910 já era eleito vice-presidente da República, superando Albuquerque Lins, da Campanha Civilista. Naquela época o candidato a vice-presidente também participava de eleições diretas. Foi eleito vice de Hermes da Fonseca, que governou de 1910 a 1914.
Com uma sonora vitória contra Rui Barbosa, por 532.107 votos a 47.782, Wenceslau Braz foi eleito presidente a 1 de março de 1914, assumindo o cargo a 15 de novembro desse ano, permanecendo até 15 de novembro de 1918. Período muito conturbado na vida nacional e internacional, e não apenas pela eclosão da Primeira Guerra Mundial.
Já pegou a Guerra do Contestado em curso, em 1915 explodiu a Revolta dos Sargentos, e em 1917 foi a vez da greve geral e também da Gripe Espanhola, que deixou milhares de vítimas por todo Brasil. A greve geral teve grande influência dos anarquistas, mas os ventos comunistas já se faziam sentir. Naquele ano era vitoriosa a revolução bolchevique na Rússia, dando origem, depois, à União Soviética. Um episódio curioso envolveu a participação brasileira na Primeira Guerra, no governo Wenceslau Braz. O Cruzador Bahia, que integrava uma frota de navios brasileiros, atacou por confusão um bando de toninhas, em novembro de 1918, na altura do Estreito de Gibraltar, na Europa. Ficou na história como a Batalha das Toninhas, uma simpática espécie de cetáceos.
Deixando a presidência, Wenceslau Braz se envolveu exclusivamente na Companhia Industrial Sul-Mineira, que havia fundado em Itajubá, onde faleceu, em 15 de maio de 1966. Tinha 98 anos. Uma longa e intensa vida pública, com importante passagem na região de Monte Santo de Minas. (JPMartins)