segunda-feira, 18 de outubro de 2010

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Minhas doces professoras mineiras

Escola Estadual Minas Gerais, Grupo no meu tempo. Lugar de sonhos.


Doçura. Não encontro outra palavra para resumir o que sinto por minhas professorinhas mineiras, aquelas que primeiro encontrei em Itamogi. A descoberta do mundo, a superação das fronteiras de nossa casa, o primeiro diálogo com o outro, o desconhecido que encanta e pode assustar. Essa é a história de nosso contato com a nossa primeira escola, ou pelo menos foi assim para mim, na pequena cidade do Sudoeste de Minas, década de 1960. A todas elas, onde estiverem, felicíssimo 15 de outubro, Dia do Professor!
Primeiro foi a dona Lurdinha Cardoso, no pré-primário, em uma casa antiga que ela transformou em castelo de sonhos. Os primeiros amiguinhos, o soninho depois do almoço, os contatos inaugurais com as letras, os números. A chave para o desenvolvimento integral.
Depois de quatro décadas, só agora vejo que a educação básica, antes chamada de pré ou de jardim da infância, vem recebendo devida atenção dos poderes públicos. Mas quanto tempo perdido! O Brasil seria outro hoje se nessas quatro décadas a educação infantil tivesse tido outro tratamento.
Mas vejo com esperança hoje ensaios importantes, como o que vem sendo feito em Campinas, com o projeto Nave Mãe e a Pedagogia dos Sentidos, liderado pelo prefeito dr.Hélio de Oliveira Santos. Essa nova Pedagogia estimula os sentidos como primeiro portal do conhecimento. E a Nave Mãe é o espaço onde a Pedagogia dos Sentidos é aplicada, e onde os pequenos podem ter contato perene com as mães, que participam de cursos ali oferecidos. O contato com a mãe, com a família, fundamental no processo educativo.
Grupo Minas Gerais - Depois do pré-primário, o Grupo Escolar Minas Gerais, atual Escola Estadual Itamogi. E a dona Laís do Nascimento, a primeira professorinha, quando a alfabetização chegava com as suas infinitas possibilidades. O Grupo Minas Gerais era outro lugar mágico - fantasia que se completava com a praça em frente, naquela época vazia, onde simplesmente eram montados os circos que se apresentavam em Itamogi! O que é mais prazeroso do que frequentar um grupo escolar no interior de Minas na década de 1960? É frequentar um grupo em frente à praça onde está o circo!
Assim era o Minas Gerais naqueles anos. A deliciosa aveia servida de lanche, as quadrilhas nas Festas Juninas, o Hino Nacional cantado com vigor e paixão no pátio, os bailes de vez em quando aos sábados à noite. Os primeiros bailes!
A Dona Nabirra Elias, a Dona Gelcira, a Dona Arísia, a Dona Yolanda, e as minhas tias Aparecida e Lourdes que me deram aulas, com muito orgulho! E a mamãe Maria das Dores, a Dora para todos, professora substituta naquela época, de vez em quando me dando aulas, também. Como esquecer!
Os dedos com o branco-pureza do giz, a dificuldade enorme (pela timidez insuperável) em ir no quadro negro ou declamar uma poesia lá na frente de todos, a maravilha de tirar dez em todas as disciplinas em um determinado mês, junto com o meu colega de carteira, o Leonardo. Lembranças impagáveis, imagens de encantamento e de agradecimento pelo que as professorinhas fizeram.
Ginásio ainda em Itamogi - Depois, o Ginásio, dirigido pelo Francisco Guerra, sempre impecável, sempre um gentlemen. E o Tista (desculpe chamá-lo assim, João Batista, durante muito tempo um brilhante secretário municipal de Educação) Guerra e suas reveladoras aulas de Matemática (na prática, descobrimos que não era tão difícil assim), a sua irmã Lurdes e suas deliciosas aulas de Geografia, e a Dona Nabirra ensinando como ler um livro, e o padre Nelson com seu ensino religioso muito crítico já naquela época, e a Dorotéia nos introduzindo no mundo do inglês, e o Airton com suas aulas de educação física (como eu sofria fazendo ginástica!). E tantos outros.
E os colegas, João Marques, o Daniel, o Melchiades Cardeal, e claro o Leonardo Lima, e minhas primas Cidinha e Beti, e a Ilza, Darci, Solange e tantas outras. A vida correndo deliciosa, o Ginásio também ao lado de uma praça de sonhos, onde em janeiro a Festa de São Sebastião era uma das delícias mais esperadas. E melhor ainda: o Ginásio perto do campo de futebol, a primeira imersão no futebol que é mais do que esporte para nós brasileiros. O Ginásio, um passo à frente, novos professores de enorme dedicação.
Colegial em Monte Santo - Depois, a primeira saída de Itamogi, o colegial no Américo de Paiva, em Monte Santo de Minas. Meados da década de 1970, outro momento do país e de nossa vida. A descoberta do rock (e até do surf!, nós que não temos praia e eu que nunca soube nadar), as fugas do colégio para jogar pebolim ou simplesmente ler Khalil Gibran em uma praça ali perto.
E os novos amigos de Monte Santo, o Dado, o Mário Antonio, o Alan, o Charles, a Bianca e tantas outras. E, claro, os professores maravilhosos de Monte Santo. O Ademar, o Romeu, tantos que eu já esqueci o nome (que absurdo!). O Jairo Palaccini, outro gentlemen, como diretor.
O colegial, momento de definição, ou de aumentar ainda mais a indefinição, sobre que rumos tomar. Para mim foi fácil, o jornalismo já vinha de me chamando, eu que adorava os livros, que meus professores e professoras me ajudaram a amar ainda mais. Que plataforma eu e minha turma tivemos, que preparação para a vida.
E hoje? - A escola pública brasileira foi vítima de um dos maiores crimes cometidos nas últimas décadas no nosso país. O crime do descaso, da culpabilização, e sobretudo do desrespeito cada vez maior da sociedade com os professores, com essas queridas professorinhas que nós tivemos. O outro crime absurdo, acabar com as ferrovias - que agora estão tentando retomar, mas como demorou!
Agora dizem que a escola pública é isso e aquilo. Nos últimos anos, em função de meu trabalho, venho tendo a oportunidade de conhecer muitas escolas públicas, em vários pontos do Brasil e na Argentina. Sim, as escolas públicas passam por uma grande crise, mas qual escola não passa? A escola como ainda está estruturada hoje não responde a todos imensos desafios da sociedade cada vez mais complexa que vivemos. Uma sociedade que é global e local ao mesmo tempo. São infinitas fontes de informação a que temos acesso, desde o momento em que acordamos. Como a escola vai responder a isso?
Pois garanto que muitas já estão respondendo, e como fruto geralmente daquela professora ou daquele professor mais apaixonado, abnegado - eles continuam existindo, graças a Deus. Conheci professores no interior de Pernambuco que começaram a carreira ensinando os próprios irmãos a escrever na parede, conheci professoras em Contagem, perto de Belo Horizonte, promovendo o resgate da identidade cultural de nosso povo mestiço com muita dignidade, conheci uma escola na periferia mais vulnerável socialmente de Campinas que simplesmente sonhou e conseguiu ter uma lousa digital - todos nós temos direito ao mundo tecnológico de hoje, não? E o mesmo na Argentina - em pleno deserto, conheci uma escola que tinha cinco, isso mesmo, cinco alunos, e todos estavam me esperando com um beijo na porta, os olhos brilhantes de esperança.
Enfim, muita gente fazendo muito esforço, muita coisa bonita com os recursos que têm à disposição. Mas todos sonhando e acreditando no sonho da educação. A educação que liberta, transforma e humaniza. A educação que nos torna absolutamente felizes. (Por José Pedro S.Martins)




quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Minas Gerais cada vez mais globalizada

Minas Gerais é um estado em crescente processo de globalização. Isto ficou claro com a última pesquisa da Central Exportaminas, vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais. A versão de setembro do Mapeamento das Exportações de Minas Gerais mostrou que o Estado tem 16 novos municípios como membros do elenco de exportadores. Em setembro foram 239 municípios mineiros exportando produtos para vários países.
No total são 2.610 produtos exportados por Minas Gerais. Itabira, a famosa terra de Carlos Drummond de Andrade, continua na liderança do ranking de exportação por municípios mineiros, por sua venda de pedras preciosas para países como Alemanha, China, Coréia do Sul, Holanda e Japão.
Os municípios mineiros que fizeram sua estréia no mundo das exportações em setembro (ou reapareceram no mapa de exportadores) foram Bonfinópolis de Minas, Campina Verde, Carandaí, Carmópolis de Minas, Conceição do Rio Verde, Divisa Alegre, Nazareno, Rio Piracicaba, Sacramento, São Gonçalo do Rio Abaixo, São Joaquim de Bicas, Tiros, Vargem Grande do Rio Pardo, e ainda São Lourenço (exportando água mineral), Monte Sião (produtos têxteis) e Comercinho, no Vale do Jequitinhonha (granito).
Diversificação das atividades econômicas, de olho na geração de renda e emprego, é o que mostra esse recente levantamento de órgãos do governo mineiro. O planeta é aqui.
De acordo com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, o café não torrado, não descafeinado, em grão, principal produto da região Sudoeste de Minas, continua sendo o segundo produto da pauta de exportações mineiras, atrás dos minérios de ferro não aglomerados e seus concentrados. Em 2009, esses minérios representaram US$ 6,4 bilhões em exportações, contra US$ 2,9 bilhões em exportação de café. A cana já apareceu em quinto lugar na pauta de exportações, com vendas de US$ 554 milhões. A China foi o maior importador de produtos de Minas Gerais em 2009, com US$ 4,9 bilhões, seguido da Alemanha com US$ 1,5 bilhão e Estados Unidos com US$ 1,3 bi.

Lei de Incentivo à Cultura de Minas Gerais: ainda dá tempo de participar

Termina no dia 19 de outubro o prazo para as inscrições de projetos ao Edital 2010 da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Essa Lei de 1998 já resultou em vários projetos culturais de grande envergadura em Minas Gerais, abrangendo o estímulo à música, artes plásticas, literatura e outras áreas culturais.
De acordo com o edital da Secretaria de Estado da Cultura, o propósito da lei é justamente "fazer a interlocução entre o empreendedor e o incentivador, aproximando produtores, artistas, investidores e público, contribuindo para dinamizar e consolidar o mercado cultural em Minas Gerais".
Tendo em vista este objetivo, a Secretaria de Estado da Cultura observa que, seguindo uma política de descentralização, espera destinar 42% dos recursos aprovados para o interior de Minas, "respeitados os critérios de avaliação documental, técnico, artístico, de fomento e orçamentário" determinados tanto pela Comissão Técnica de Análise de Projetos - CTAP, quanto pela Diretoria da Lei de Incentivo à Cultura - DLIC e, ainda, pela Superintendência de Fomento e Incentivo à Cultura - SFIC.
Maiores informações no site da Secretaria de Estado da Cultura de Minas: www.cultura.mg.gov.br

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Guaranésia, na região, foi pioneira no cinema brasileiro

O cinema brasileiro ainda luta para alcançar sua maturidade no início do século 21, mas não é por falta de esforço de pessoas e grupos que ainda permanecem praticamente anônimos para a maioria da população. Pois Guaranésia, no Sudoeste de Minas, tem seu nome inscrito em letras de ouro nos momentos de pioneirismo do cinema nacional. Nos anos 20, a cidade sediou o chamado Ciclo de Guaranésia, repetindo o fenômeno que ocorreu em outras cidades brasileiras, como o Ciclo de Cataguases (de Humberto Mauro e outros), também em Minas Gerais.
Os irmãos Masotti foram os responsáveis pelo Ciclo de Guaranésia. Américo e Carlos Masotti, filhos de imigrantes italianos, foram os realizadores de "Guaranésia Pitoresca", documentário de cerca de 10 minutos de duração, provavelmente de 1924, e "Corações em suplício", longa exibido pela primeira vez a 7 de janeiro de 1926 no Theatro Rio Branco, propriedade da Empresa Bartolomeu Lauria em Guaranésia.
O Cine Rialto, no Rio de Janeiro, e os cines América, Avenida, Floresta, Odeon e Pathé, da Empresa Gomes Nogueira em Belo Horizonte, foram os próximos espaços de exibição de "Corações em suplício", que teve Roberto Rodrigues, a portuguesa Lilian de Loty e o italiano Eugênio Centenaro como principais protagonistas. Fernando Máximo, gerente do Banco Campos, Lima & Cia, assinou a produção do filme. O museólogo Ivan David, de Guaranésia, vem se dedicando a documentar a história dos irmãos Masotti e outros aspectos da história local.
Monte Santo de Minas e São Sebastião do Paraíso também tiveram locações de documentários assinados pelos irmãos Masotti. Antes de Guaranésia, os Masotti moravam em Muzambinho. Eugenio Centenaro, que acrescentou um Kerrigan a seu nome ao se apresentar como diretor americano (depois foi desmascarado), ainda produziu filmes em Campinas (o faroeste "Sofrer para gozar") e São Paulo. Um nome que daria grande personagem para um filme de sucesso nos cinemas brasileiros e no exterior. Enfim, histórias ocultas do cinema brasileiro, que teve um dos seus pilares na região, em Guaranésia.

Região se destaca no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal

Os municípios paulistas de Batatais, Altinópolis e Santo Antônio da Alegria, e os mineiros de Itamogi, Monte Santo de Minas e São Sebastião do Paraíso se destacaram na edição 2010 do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal, sobretudo nas áreas de educação e saúde. Batatais, especificamente, está entre os 50 municípios brasileiros com melhor desempenho no Índice Firjan, à frente de todas capitais estaduais brasileiras, como São Paulo.
O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal foi criado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), como ferramenta para mensurar o desenvolvimento humano, econômico e social nos 5.564 municípios brasileiros, a partir da avaliação do desempenho desses municípios nas áreas de emprego&renda, educação e saúde, com base em dados oficiais levantados sobre esses setores.
A metodologia do Índice Firjan aponta que o município apresenta o melhor desempenho nessas áreas, quanto mais se aproxima de 1 em uma escala de 0 a 1. O IFDM divide os municípios em quatro categorias, de acordo com sua colocação na escala de 0 a 1: baixo desenvolvimento humano (0 a 0,4), regular (0,4001 a 0,6), moderado (0,6001 a 0,8) e alto (0,8001 a 1) desenvolvimento humano.
Nestes termos, é uma metodologia semelhante à do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), medido pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD). Batatais ficou no lugar 46 do ranking nacional do IFDM e no lugar 43 do ranking paulista, com uma média de 0,8689, considerando as áreas emprego&renda (0,8475), educação (0,8467) e saúde (0,9125).
O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) de 2010 se refere a dados de 2007 sobre os municípios brasileiros. Pois os seis municípios apresentaram índices, nas áreas de saúde e educação, superiores à imensa maioria dos municípios brasileiros.
A média brasileira do IFDM em educação foi de 0,7083 e em saúde, de 0,7830. Todos os seis municípios (em ordem alfabética, a seguir) superaram essa média: Altinópolis (0,8586 em educação e 0,9208 em saúde), Batatais (0,8467 e 0,9125), Itamogi (0,8010 e 0,8398), Monte Santo de Minas (0,8087 e 0,9167), Santo Antônio da Alegria (0,8374 e 0,8693) e São Sebastião do Paraíso (0,7816 e 0,8489). Pelos critérios do Índice Firjan, fica então o desafio de melhoria do desempenho do conjunto dos municípios na área de emprego e renda.
Desafios - Conforme o IFDM 2010, 40 milhões de brasileiros ainda vivem em situação precária em termos de educação, saúde e acesso a mercado de trabalho estruturado. De qualquer modo, o IFDM apontou uma evolução em termos de desenvolvimento municipal no Brasil desde a primeira edição do Índice, referente a dados de 2000. (Por José Pedro S.Martins)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Bela diversidade nordestina

Estátua de Clarice Lispector, no centro histórico de Recife: o Nordeste tem uma diversidade cultural impressionante (Foto José Pedro Martins)
Uma estátua faz homenagem à escritora Clarice Lispector, que faria 90 anos em dezembro, no centro de Recife. Mais um signo da enorme diversidade social, cultural e natural nordestina, tema do primeiro ensaio de Pelo Brasil, nova editoria do blog BELA REGIÃO. Afinal, fazemos parte desse maravilhoso país! (Ver em PELO BRASIL)